Descartes x Espinosa


Milton Moura28 de julho de 2016

        Dualismo x Monismo

Uma reflexão entre Descartes e Espinosa
Fico imaginando um diálogo entre Descartes e Espinosa. Um representante clássico do dualismo – separação entre mente (pensamentos) e corpo físico (matéria – extensão); e um representante clássico do monismo – tudo é feito por apenas uma única “substância”. Hoje temos a física quântica capaz de integrar e aproximar o diálogo, mas no século XVII não havia as esquisitices da ciência quântica. Havia um princípio de separação entre ciência e religião. 

Descartes apresentava a sua filosofia cartesiana da separação entre res cogitans (pensamento) e a res extensa (matéria). São feitos de substâncias diferentes e independentes. A matéria é possível a sua divisão em componentes menores para análise e posterior síntese. O mundo dos pensamentos, alma e consciência pertence a uma outra substância que não pode ser dividida e nem analisada. Essa ideia influencia até hoje a nossa ciência e até mesmo as religiões.

Espinosa, por outro lado, tinha suas intrigas e desavenças com a Igreja. Não o compreenderam. É um legítimo panteísta. “Deus está em tudo que existe, e tudo o que existe está em Deus”, dizia Espinosa. Se ele estivesse entre nós nos dias de hoje, com o conhecimento que a física quântica proporciona, com certeza comprovaria suas palavras. No entanto, vai mais além: “Se houver uma criação, esse Deus não está de fora”. “Deus é o mundo”. ” O mundo é em Deus”.

A física quântica compreende a matéria como possibilidades. São ondas de possibilidades. A mecânica quântica é capaz apenas de calcular a probabilidade de algo acontecer, mas nunca a realidade. O que causa então a realidade? O que está fora da jurisdição da física quântica capaz de provocar o colapso da função de onda e causar a realidade? Chegamos na consciência. A consciência escolhe. Há uma integração perfeita entre consciência e matéria. Não há dualismo. Há, sim, o monismo. Tudo o que existe é consciência. A matéria é apenas mais uma possibilidade de escolha.

Essa separação inicial proposta por Descartes ganhou adeptos importantes nas instituições educacionais da época e a filosofia cartesiana trouxe consigo o avanço tecnológico e científico que observamos hoje em dia. Porém, com esse avanço, houve uma negligência do res cogitans que ficou marginalizada da ciência que crê apenas na matéria: é o monismo da matéria e todas as suas interações materiais explicando tudo o que existe. A hipertrofia dos significados fornecidos por esse paradigma trouxe até o estágio que estamos vivendo atualmente. Não há valorização dos valores, pois a matéria não processa esses valores. E, ainda, somos frutos do acaso e da necessidade com o afastamento total do propósito na Evolução. Mas isso é assunto para outra oportunidade…

 Avançamos do monismo da matéria para o monismo da consciência. O dualismo embutido na interação entre res cogitans e res extensa não tem sustentação científica por possuir paradoxos insolúveis. As religiões espiritualistas que sustentam suas crenças na existência de uma realidade espiritual deveriam canalizar seus esforços para compreenderem a ciência quântica e aceitarem essa evolução da ciência. Ciência e Espiritualidade podem e devem ser integradas. A separação que houve durante esses 400 anos de domínio da matéria sobre o sutil precisa ser revisto. Será algo natural. Porém, estamos no período de transição.

Os conhecimentos científicos atuais não são tão fáceis em sua compreensão como o eram na época de Newton. Hoje, o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, só podem ser explicados com a física quântica. O macro ainda guarda estreita relação com a mecânica clássica, mas essa está longe de explicar a realidade. Nós não somos seres duais. Somos seres unos. Os fenômenos sutis merecem uma investigação pela ciência. Não a ciência clássica, mas a ciência quântica dentro da primazia da consciência. Livres de paradoxos e dentro de uma rigorosidade científica conceptual. 

A energia do mundo manifesto é constante! Lei sacrossanta (hehe). Como explicar a possível interação dentro da filosofia dualista entre o sutil e o manifesto se a energia do mundo manifesto é constante? Todo dualismo possui questões contraditórias chamadas de paradoxos. Todo paradoxo dentro da ciência remete a problemas. Os experimentos não falseam a hipótese. A solução está dentro do monismo. Mas mesmo o monismo materialista encontra problemas. Quando pensamos nos valores, como explicá-los? Como as interações materiais podem processar os valores? Impossível. 

Admiro Descartes e começo a admirar Espinosa. As ideias já se encontram há muito tempo trafegando entre as mentes dos seres humanos. Todos buscam a verdade. Se a verdade for uma “frequência”, cada um de nós “sintoniza” de acordo com o seu nível de compreensão. Não há problema nisso. Mas também acredito que há verdades mais verdadeiras do que outras e é dessa forma que percebemos a evolução. Vejam a época de transição entre a “verdade” do geocentrimo e a nova “verdade” do heliocentrismo. Assim está sendo com a nova mundança do paradigma do monismo da matéria para o monismo da consciência. Haverá uma integração e um diálogo fluente entre ciência e espiritualidade e todas as outras áreas do saber serão influenciadas com oportunidade de novos significados. O contexto fornece a oportunidade de significado pela mente. A física quântica fornece novos contextos. Quanto surge um novo significado surge um novo comportamento. É isso!
Abraços fraternos
Dr Milton Moura.

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