Você é coerente?


          O CÉREBRO E O CORAÇÃO            COERÊNCIA CARDÍACA

Retornemos ao assunto da coerência cardíaca. Esse conceito é muito importante e necessário para o estágio atual da evolução. Precisamos valorizar esse estado de coerência. Boa notícia: O estado de coerência cardíaca pode ser treinado. Exatamente isso! Podemos desenvolver técnicas simples que nos aproximam cada vez mais do estado de coerência. Por que precisamos ser coerentes? Qual a sua importância no dia a dia de cada um de nós? O Instituto de Pesquisa HeartMath (HearthMath Research Center) nos EUA foi o pioneiro na pesquisa da coerência com vários experimentos esclarecedores na área das emoções. A cada batimento cardíaco há uma codificação emocional embutida percebida pelos espectrometros dos pesquisadores. A atividade elétrica do coração produz um campo magnético poderoso cerca de 5000 (cinco mil) vezes maior que o campo magnético produzido pelos 100 bilhões de neurônios cerebrais. No campo magnético do coração estão codificados as emoções que são percebidas pelo sistema límbico cerebral que, por sua vez, aciona as moléculas necessárias (neuropeptideos) para representar o sentimento em forma de emoção visível.

Cada batimento codifica uma emoção. Aqui já começamos a vislumbrar a importância da coerência cardíaca. O coração bate cerca de 100 mil vez em 24 horas. A origem espontânea dos batimentos ainda continua um mistério para a ciência. Há várias hipóteses que acreditam em células especializadas dentro de uma cavidade do coração denominada átrio que é capaz de gerar os próprios batimentos através de uma série de eventos de movimentos de íons que culmina na formação de um potencial elétrico também capaz de excitar o músculo cardíaco e produzir o seu funcionamento. O coração é muito mais que uma simples bomba de sangue. O funcionamento do coração gera um campo de influência magnética que já pode ser detectada através de aparelhos específicos capazes de detectar a presença desse campo magnético, da mesma forma que um simples aparelho de eletrocardiograma é capaz de detectar a presença das ondas elétricas produzidas pelas células e detectadas na superfície da pele do tórax.
Temos que realçar também a importância das conexões das redes neurais presente no cérebro humano. O cérebro possui cerda de 100 bilhões de neurônios. Cada neurônio é capaz de realizar 5000 (cinco mil) ligações. O número de conexões é cerca de 10 elevado a milionésima potência. É o número 1 seguido de 1 milhão de zeros. Um número bem maior que o número de estrelas do Universo. O funcionamento cerebral também gera a formação de ondas eletromagnéticas percebidas pelo aparelho de eletroencefalograma, traduzindo o funcionamento da atividade cerebral. O processamento inconsciente do cérebro é capaz de perceber as oscilações e variações dos batimentos cardíacos gerando um controle alostático e mantendo um funcionamento dinâmico da variabilidade cardíaca através do sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. Há uma comunicação entre cérebro e coração e também entre coração e cérebro. Pensar e sentir. Sentir e pensar. Pensamentos e sentimentos envolvem todas as experiências humanas. Temos um aparato de percepção e memória no cérebro cuja consciência utiliza-se para expressar-se. Cada percepção e cada memória estão codificadas por uma emoção que está codificada em cada batimento cardíaco.
Unir de forma coerente o que pensamos e o que sentimentos é o desafio atual da nossa evolução. O comportamento deve expressar o pensar e o sentir. Quando o comportamento não reflete o que pensamos ou o que sentimos estamos sendo incoerentes. Como compreender melhor esse estado de coerência?

Veja o video abaixo sobre essa comunicação entre cérebro/coração e coração/cérebro. 

Abraços fraternos

Dr Milton Moura

Stress ou Criatividade? O que você escolhe?

 

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Vivemos sob o estado mental do STRESS ou sob o estado mental da CRIATIVIDADE.
Qual o seu estado mental?
Sob stress, viver sob a influência dos hormonios do Stress, há apenas 3 preocupações: tempo, corpo e ambiente. Não há espaço para a criatividade. Não há espaço para o crescimento pessoal.
O crescimento pessoal exige outro estado mental com outras emoções envolvidas e, com certeza, passa longe do stress.
Venha participar do WORKSHOP CRIATIVIDADE QUÂNTICA – mudando de dentro para fora e permitir encontrar o estado mental de criação, com novas e elevadas emoções.

DATA 27/08

LOCAL Humani – espaço integrado Goiania

HORÁRIO: 8 as 18H

INSCRIÇÕES : WhatsApss 62-981398000

Venha superar o stress e tornar-se maior que o ambiente, corpo e tempo.

Abraços fraternos

Dr Milton Moura

 

Mente – Cérebro em ação. 


Ao longo dos últimos anos a ciência se abriu para examinar a natureza da vida. Podemos afirmar sem ressalvas que a “mente”, embora não seja visível, é, inequivocamente, “real”. A medicina já tem se aventurado a inserir em seus programas curriculares noções de empatia e redução do stress em estudantes de medicina e enfatizado a importância de ver o paciente como pessoa. Pode-se ir mais além, mas já é, sem dúvida, um início. Desenvolver um currículo mais abrangente e focado no “interior” poderia ser uma avanço para áreas como psiquiatria, pediatria e a própria psicologia dentro da medicina. Precisamos perceber que todos nós temos um “oceano” interno com intuições, pensamentos, sentimentos, memória, apego, narrativas e etc. Esse oceano interno com todos esses aspectos formam o que chamamos de “mente”. Mas o que é realmente a mente? Será que poderíamos dar uma definição para que as várias áreas do saber pudessem dialogar de maneira objetiva sobre o termo “mente”? É estranho perceber como a visão que cada uma dessas áreas do saber possuem sobre a mente é por demais divergente. Cada disciplina tem sua própria maneira de ver a realidade da mente. Se reunirmos linguistas, engenheiros da computação, geneticistas, matemáticos, neurocientistas, sociólogos, psicólogos do desenvolvimento e experimentais, perceberemos que cada qual enxerga e compreende a natureza do cérebro com sendo de alguma forma relacionada com a natureza subjetiva da mente. 

Concorda-se facilmente que o cérebro é composto por um conjunto de neurônios protegidos pelo crânio e interconectados com o resto do corpo, porém não há uma visão compartilhada da mente e nenhum vocabulário para discuti-la. Um engenheiro da computação se refere a mente como “um sistema operacional”. Um neurobiólogo diz que ” a mente é apenas a atividade cerebral”. Um antropólogo fala sobre “um processo social compartilhado que atravessa gerações”. Um psicólogo diz que a “mente são nossos pensamentos e sentimentos”. E assim por diante. Essa divergência não ajuda em um entendimento integral podendo levar a desentendimentos entre as diversas disciplinas e corre-se o risco de não haver avanço. Como poderíamos definir a mente de maneira funcional que estabelecesse um ponto de partida para futuros diálogos? Eis a proposta: “A mente humana é um processo relacional e incorporado que regula o fluxo de energia e informações”. É isso! Essa definição é compatível com as abordagens de todas as disciplinas. A mente é real e ignorá-la não a faz desaparecer. Definir a mente possibilita compartilhar uma linguagem comum sobre a natureza interna de nossas vidas e possibilita para os profissionais da psicoterapia, medicina e educação acesso a essa linguagem comum. Vamos aprofundar em cada aspecto dessa definição.

 

A mente envolve um fluxo de energia e informações. Energia é a capacidade de realizar uma ação – seja ela mexer os membros ou pensar. Energia pode ser compreendida de diversas formas, mas essa “capacidade essencial de fazer algo” permanece a mesma. Utilizamos “energia” neurológica quando pensamos, falamos, ouvimos e lemos. A informação é tudo que simboliza algo diferente de si mesmo. As palavras que você lê ou ouve são ‘pacotes’ de informação. Os rabiscos na página não são os significados das palavras, e as que você ouve são apenas ondas de som movendo moléculas de ar em determinada frequência. O significado está na mente. Energia e informação andam de mãos dadas no movimento de nossas mentes. Somos capazes de fazer representações no físico para transmitir essa noção de informação. Nossa capacidade de “representar” uma reação emocional para nós mesmos, de dar-lhe um nome e um significado. Não somos máquinas! Máquinas não processam significados. Interação material não processa significado e coisas do tipo. Saber que nossas mentes regulam o fluxo tanto de energia quanto de informação nos capacita a sentir a realidade dessas duas formas de experiência mental e, depois, a agir sobre elas em ver de nos perdermos nelas. A mente, a todo instante, cria novos padrões de fluxo de energia e informação, os quais continuamos a monitorar e a modificar. Esse processo é a essência de nossa experiência de vida subjetiva.

 

A mente também é um processo regulatório. Pensemos no ato de dirigir. Se você tem as mãos no volante, mas os olhos estão fechados (ou focado em uma mensagem de texto), você pode fazer o carro se movimentar, mas não está dirigindo-o – uma vez que dirigir significa regular o movimento do veículo, ou seu fluxo, pelo tempo. Se você tem os olhos abertos, mas está sentado no banco de trás, pode monitorar o movimento dele (e fazer comentários, como alguém que conheço), mas não poderá movê-lo de fato. O que está sendo monitorado e depois modificado pela mente? Trata-se do fluxo de energia e informação. A mente “observa” o fluxo de energia e informação e depois molda as características, os padrões e direção dele. Cada um de nós possui uma mente única: intuições, pensamentos, sentimentos, percepções, memórias, crenças e atitudes singulares, em um conjunto regulatório de padrões também únicos. Podemos aprender a moldar esses padrões, a alterar nossa mente e como consequência o cérebro, ao ver, em primeiro lugar, a mente com clareza.

 

A mente é incorporada. Isso significa que o fluxo de energia e informação acontece, em parte, no corpo. A relação entre mente e cérebro torna-se óbvia. Porém não podemos passar uma navalha no pescoço e separar o cérebro do restante do corpo. Temos cérebros no coração, no intestino e etc. Finalmente, a mente é um processo relacional. A energia e a informação fluem entre as pessoas e são monitoradas e modificadas nessa troca compartilhada. Isso acontece agora mesmo entre você e eu, através da minha escrita e da sua leitura. Esses pacotes de energia saem da minha mente e agora entram na sua. Se estivéssemos juntos em uma sala esses “sinais” poderiam ser trocados de outra forma seja no domínio verbal ou não verbal. Os relacionamentos são a forma como compartilhamos o fluxo de energia e informação, e é esse compartilhamento que molda, em parte, com o fluxo que é regulado. Nossa mente é criada dentro de relacionamentos, incluindo o relacionamento conosco mesmos. Podemos perceber e sentir os outros. Temos a capacidade de ressonância por possuir circuitos cerebrais que realizam essa função. “Sentir sentidos” e sentir os outros é a base para realizarmos um aprofundamento sobre nossa própria mente. Muitos dos distúrbios atuais advém dessa incapacidade de se sentir sentido ou de sentir os outros. Depressão, bipolaridade, transtornos diversos do humor, explosões emocionais e até mesmo transtornos biológicos podem ser abordados sob uma visão de mente cuja definição aqui explicamos. Ver a mente como epifenômeno não ajuda muito. Dar a mente o valor que lhe é de direito permite um inicio de quebra de paradigma da separação. Temos a ressonância mutua dos relacionamentos e os princípios quânticos que sustentam a prática. É isso!

 

A mente é um processo que regula o fluxo de energia e informação. Sob essa perspectiva cria-se uma oportunidade para explorarmos outras dimensões de nossa mente incorporada e relacional e o que significa ser humano. A física quântica permite essa expansão da consciência quando utilizamos seus princípios e passamos a pensar quanticamente. Estamos diante de uma oportunidade única para mudar paradigma. Que possamos neste momento, partirmos para a prática desses princípios e construirmos uma sociedade melhor. “Mentes que se relacionam e regulam o fluxo de energia e informação”. De forma alguma estamos separados. Na verdade, há uma interconexão entre todos. A “substância” da “matéria” do grosseiro (externo) é a mesma da “matéria” sutil (interna), isto é, do oceano interno, ou melhor, da mente. Temos muito em que trabalhar. Em todas as áreas. Vamos adiante! É isso!

 

Abraços fraternos

 

Dr Milton Moura

 

Neurodesenvolvimento e Coerência Cardíaca

Temos um órgão nobre que pesa cerca de 1,5Kg e consistência que lembra uma gelatina amanteigada. Não pulsa como o coração. Não expande e contrai como o pulmão. Mas exerce a coordenação da função de todos eles e também do corpo humano como um todo.

São cerca de 100 bilhões de neurônios! Conexões a se perder de vista! Somente agora, através dos estudos dinâmicos do seu funcionamento vivo é que podemos entender e compreender melhor os milhares e milhares de circuitos que são gerados para representar todas as experiências que o ser humano desenvolve no seu dia a dia.

Se você está triste, esse sentimento é representado por centros cerebrais específicos.

Se você está observando uma determinada imagem, ela está sendo representada em outra região específica do cérebro.

Se você está calmo, esse estado é representando também pelo cérebro.

Se você tem que tomar uma decisão importante, essa decisão é possibilitada pela integridade do cérebro.

Assim, todas as experiências são representadas por esse nobre órgão.

Com esse conhecimento, podemos aprimorar nossas potencialidades. Podemos desenvolver e crescer para que novos circuitos sejam formados para representar algo novo que queremos em nossas vidas. 

Dessa maneira e por essa maneira, o estudo da coerência cardíaca torna-se importante. Podemos conhecer nossos estados cerebrais através da atenção plena e alinhar nossas ações com o que pensamos e com o que sentimos. (Tornar-se consciente dos processos inconscientes). 

Tornar nossa prática próxima do nosso discurso.

Sermos integrais, seja em qualquer situação que estejamos vivendo.

Sermos autênticos e coerentes.

Compreender como se forma o ciclo de pensamentos e sentimentos constituindo o nosso ESTADO DE SER. 

Aumentar o campo eletromagnético (torná-lo coerente) pela coerência do coração e cérebro.

Harmonia e fluxo.

Esse estado pode ser aprimorado. Porém é necessário um certo querer e uma certa vontade e também um certo despertar. Isso é pessoal e intransferível.

Desenvolvemos workshops com essa proposta: promover o neurodesenvolvimento com coerência cardíaca para possibilitar uma mudança interna e causar um efeito externo. 

Para isso utilizamos a habilidade e capacidade de nosso Lobo Frontal de pensar no que pensamos: METACOGNIÇÃO. 

Workshop em Goiânia no dia 27/08 das 8 as 18H. 

Informações pelo WhatsApp 62-981398000. 

Abraços fraternos
Dr Milton Moura.

Consciência e Neurociência

NEUROCIÊNCIA E A CONSCIÊNCIAContribuições da física quântica

        Primazia da consciência

 

 Não somos nosso cérebro, mas utilizamos esse órgão – extremamente sofisticado – para expressar e representar aspectos internos da consciência. Aqui valorizamos a consciência e ela tem podem causal. A neurociência tem avançado e permite hoje estudar o cérebro e seu funcionamento de forma dinâmica. Muito se tem progredido com vários estudos que utilizam a ressonância nuclear magnética funcional com o acender e apagar de neurônios no cérebro. Unir e compreender esses estudos científicos com o conhecimento transcendente da espiritualidade sob o paradigma fornecido pela física quântica – a consciência escolhe dentro das possibilidades da matéria – é o que tem nos motivado atualmente. Como podemos estudar e definir “consciência”? Tarefa árdua e quase impossível. É algo que é, simplesmente. Do ponto de vista prático e pragmático, há estudos que entendem e definem a consciência considerando ser apenas as características subjetivas do indivíduo. Porém queremos ir além e tentar entender a consciência de maneira ontológica, isto é, compreender a consciência como a “essência” última do ser. Tarefa difícil? Muito difícil haja vista o total predomínio do atual paradigma que entende e estuda a consciência como um epifenômeno das diversas “faíscas” da dinâmica de funcionamento dos neurônios. Diante disso, temos que caminhar e fornecer os ingredientes do novo paradigma, que nasceu no início do século XX, e vem modificando a forma como os cientístas compreendem a matéria. Mudar paradigma não é fácil, mas também não é impossível.

 

Etmologicamente, consciência significa “saber com”. Exatamente isso! A consciência é o que é. Não temos como definir algo que é indefinível. Utilizamos de instrumentos intuitivos para capturar a idéia de consciência. O que é importante nesse momento é que não a compreendemos apenas como sendo as características subjetivas que integram o ser humano e, sim, como a “essência” divina individualizada em uma personalidade em evolução. Forma-se então uma consciência imediata – que identfica-se com o cérebro – interage com as possibilidades infinitas do universo e cria a realidade. Nessa dinâmica, cria também o cérebro e todos os seus estados que representam as diversas características internas de cada personalidade em evolução. Essa consciência imediata identificada com o cérebro tem a propriedade de questionamento e busca do conhecimento e autoconhecimento. Diante disso, ela questiona a natureza e a mesma responde. A diversidade de respostas corresponde a diversidade de perguntas que realizamos. Os objetos da percepção são as respostas das perguntas que fazemos a Natureza. Nessa percepção e mensuração quântica no cérebro há uma separação aparente entre o sujeito que percebe e o objeto que é percebido. Pensamentos, sentimentos e qualquer outro estado cerebral (inclusive o próprio órgão cérebro) é considerado objeto de percepção. Como objetos que são constituem-se de matéria e a matéria segundo a física quântica são ondas de possibilidades. Essas ondas de possibilidades tornam-se reais com a observação e “atualização”. Essas possibilidades são “atualizadas” quando elas saem do mundo de Potentia indiferenciado, interconectado e tornam-se reais no espaço/tempo continuo da manifestação.

 

Cada idéia, cada pensamento, cada sentimento e cada emoção cria uma representação no cérebro através de um circuito neural. A consciência – compreendida do ponto de vista ontológico – escolhe as possibilidades do pensamento, do sentimento e qualquer outro estado e cria a realidade. O foco da sua atenção forma conexões. Criamos uma rede neural cerebral para representar a mente. A mente “molda” o cérebro! Essa é uma conclusão recente e só foi possível devido ao avanço de pesquisas e estudos realizados em diversos laboratórios de neurociência. Algumas constatações proporcionaram os primeiros vislumbres para chegarmos a conclusão de que a mente molda o cérebro. Uma pesquisa simples realizada com voluntários pode ser assim resumida: foi ensinado a sequência de uma música tocada ao piano (sequência simples). Esses voluntários treinaram durante algumas semanas ao piano e no final foi constatado o aumento da área cerebral responsável por esse aprendizado. Bom, isso já era esperado. O que não era esperado foi o resultado do treinamento de outros voluntários que tinham apenas que “imaginar” a sequência simples da melodia, sem no entanto terem que praticar diretamente ao piano. Ambos os grupos de voluntários foram analisados pela ressonância nuclear magnética funcional e a mesma área apresentou o aumento esperado. O cérebro não diferencia realidade de imaginação!!

 

A neurociência começa a compreender os circuitos cerebrais e tentam, sem êxito, compreender a consciência como epifenômeno de mecanismos biológicos que utilizam “engenhosidades” moleculares fantásticas. Essas “engenhosidades” ocorrem na intimidade da célula, longe da percepção consciente. Microtubulos e tubulinas (Hameroff e Penrose) são candidatos para explicar os fenômenos quânticos, dentro de um interacionismo inexistente – como pode interação de objetos (moléculas) produzir o sujeito da ação (consciência)? – Se queremos ser realmente cientistas e ficarmos livres de paradoxos graves não podemos estudar a consciência ou qualquer elemento sutil como sendo subproduto do funcionamento de máquinas moleculares. Antes disso, temos que estudar como a consciência consegue se expressar utilizando-se dessas possibilidades! Se queremos realmente compreender e entender um mundo transcendente que há após o término do corpo físico, temos que obrigatoriamente admitir que o sutil coordena e causa o manifesto (o físico). Caso contrário, estaremos dando murro em cabeça de prego e continuaremos indiferentes no processo de envolvimento pessoal de transformação. Continuaremos em uma postura de indiferença e separação. Essa separação não existe. Caso contrário, não há possibilidade de existir um mundo sutil. Temos muitos elementos que corroboram com a idéia da existência do mundo sutil, formado por uma matéria também sutil, que existe e permite que a consciência continue escolhendo dentre as possibilidades do sutil os seus corpos sutis (supramental, mental e vital), mesmo que ela não tenha mais a opção de escolha da matéria fixa, que é nosso corpo físico.

 

Pensamentos e sentimentos são objetos quânticos que utilizam das moléculas biológicas para existir no mundo dos fenômenos da manifestação fixa da matéria. Pensamento é matéria. Sentimento é matéria. Como tal, são ondas de possibilidades dentro das infinitas possibilidades de escolha que a consciência possui. Escolhas habituais e condicionadas. A consciência está em um processo evolutivo obedecendo a um impulso de “retorno” diante da maturação psicológica que todos nós seres humanos nos encontramos. A matéria fixa do corpo físico e toda sua biologia obedece a comandos sutis da mente (pensamentos e sentimentos), pois todos são feitos da mesma substância. Pensamento e neurotransmissor; sentimento e moléculas da emoção são codependentes. Um coordena do mundo sutil as ações no físico. Há uma sabedoria (processamento inconsciente) proveniente de um campo fundamental unificado de onde nascem as ondas do pensamentos e o movimento da energia vital do sentimento formando campos que atuam em campos que coordenam as ações no físico. Assim a medicina deverá estudar os desequilíbrios da alma que repercute no físico. Trazendo para a equação aquilo que foi negligenciado durante muitos anos em pesquisas científicas: o sutil. Pensar pode adoecer; sentir pode adoecer e há avanços que corroboram esse conhecimento. Diante disso estamos caminhando para aceitar a hipótese como sendo verdadeira de que existe o sutil, não podemos negá-lo. Se o negamos, ele continuará existindo e gritando para que possamos ouvir o seu chamado e agir de maneira consciente em todos os relacionamentos.

 

Quais são os aspectos internos que podem ser representados por meio de um circuito cerebral? Todos… Todas as características internas de nossa alma com seus sofrimentos, com suas sombras, com suas angústias, com seus medos, com suas inseguranças, com seus desejos, com seus anseios, com suas intenções, com sua bondade, com sua justiça, com seu amor, com sua abundância, com sua verdade, com sua gratidão, com sua alegria, com sua tristeza, com sua raiva, com seu ódio, com suas vontades, com sua serenidade, com sua felicidade, com sua equanimidade, com sua assertividade, com suas crenças, com seu automatismo inconsciente… toda a alma… a alma por inteiro… pode ser representada no cérebro. Mente e cérebro (corpo por inteiro) são formados por uma única substância. A consciência identifica-se com o cérebro no momento da mensuração quântica. No momento que observamos (nós consciências), a consciência divide-se em sujeito que observa e objeto observado. Não há como escapar dessa conclusão quando estudamos a física quântica sob o paradigma do primado da consciência. Somos observadores do universo. Nós criamos a realidade. Há muitas nuances nesse processo. O cérebro tem participação ativa, mas ainda assim é uma possibilidade de escolha da consciência, quando se trata de representar os aspectos internos da alma. A mente e o cérebro formam uma codependencia e o funcionamento cerebral adquire características complexas ao tentarmos entender o que é a REALIDADE.

 

Observem a evolução e será comprovada essa observação. Podemos representar voluntariamente no cérebro estados de felicidade e sabedoria. Como fazer isso? Saindo das escolhas habituais… exercitando conviver com o sutil e trazer esse sutil para sua vida… trazendo e valorizando a consciência em e para tudo o que você faz… a consciência é a base de tudo. Não posso fornecer uma receita a ser seguida, pois há vários níveis de consciência e cada qual assimila aquilo que está pronta para assimilar. Posso fornecer uma maneira diferente de dar significados aos contextos, pois acredito que mudando contextos a mente dá um significado diferente e um valor diferente surge na manifestação. O que falta hoje em dia? Valores? Quais valores? Todos? A civilização está esgotando o impulso do materialismo que admite ser a matéria a base de tudo para entrar no impulso da consciência como sendo a base de tudo. Há uma inversão de causalidade. Estamos saindo da primazia da matéria para valorizar não só a matéria, mas também a consciência. A consciência, não cansamos de afirmar, não é um epifenômeno do cérebro, mas, sim, é ela (consciência) quem “produz” – quem colapsa a função de onda – e literalmente cria a matéria e também o cérebro. Vamos pensar um pouco. Como podemos imaginar ou explicar que do mecanismo de funcionamento cerebral possa sair ou emergir algo sutil como a consciência ou qualquer outro aspecto interno da alma? Como que de interações de objetos pode-se fornecer o sujeito que observa? Problema difícil de ser resolvido pela neurociência quando o contexto que fornece os significados é a primazia da matéria. Há uma incompletude em tudo isso. Temos que sair desse raciocínio que prende, amarra e tira o propósito da vida. A vida tem propósito!!!! Com um pouco de pensamento quântico podemos resgatar o livre arbítrio e a liberdade de escolha e, consequentemente, as responsabilidades sobre essas escolhas. Podemos dar um novo impulso em nossa evolução e criar uma realidade diferente dessa que criamos até agora.

 

Valorizar o sutil e viver em ação com esse significado. O que é o sutil? São aspectos internos e transcendentes de cada um de nós. Vejam e constatem por si mesmos: quando vejo uma pedra, ela surge externamente a minha percepção; quando penso, ele surge internamente a minha percepção. A pedra é externo e o pensamento é interno. A pedra podemos compartilhar; o pensamento não podemos compartilhar salvo raríssimas exceções. Foi essa diferença de percepção que fez com que Descartes levasse a uma bifurcação que perdura até hoje. A substância da pedra e a substância do pensamento são diferentes! Não! Não são! A física quântica e todo o arsenal de experimentos vem derrubar esse paradigma da separação e dizer que aspectos internos e externos são feitos da mesma substância. A pedra é um objeto quântico e necessita de uma representação mental para existir. Não percebemos os arranjos de átomos e partículas elementares que constituem a pedra. Por que então há essa aparente separação entre o que é externo e o que é interno? Um pouco de pensamento quântico ajuda! Átomos e partículas elementares são ondas de possibilidades que se expandem com uma velocidade incomensurável. A medida que as etapas de “atualização” ocorrem durante o ato psíquico da observação, essa onda de expansão vai tornando-se cada vez mais lenta e adiquirindo massa e peso durante esse processo. A transição do micro para o macro torna a onda de possibilidade cada vez mais lenta a ponto de entre observações não ser percebido qualquer modificação e dando a aparência de externo ao processo. A pedra está externo ao sujeito que a percebe. Com o pensamento o movimento quântico é muito mais dinâmico e a onda de expansão se modifica muito rapidamente o que torna o pensamento um aspecto interno e não compartilhável inicialmente. Quando a consciência colapsa a função de onda do pensamento esse surge internamente, particular e não externo, mas tanto pedra como pensamento são feitos da mesma substância. Isso acaba com a separação e a bifurcação e começamos a entender melhor a dinâmica de funcionamento de nosso Universo e nos tornarmos realmente participativos no processo evolutivo. Isso permite estudar o pensamento não mais como um epifenômeno do cérebro, mas com propriedades intrínsecas de força e poder causal que atua na biologia de maneira eficaz e conduz a novas pesquisas que fazem entender como pessoas com transtornos de humor podem adoecer mais facilmente que outras. O pensamento tem massa e peso e atua na matéria.

 

Pensamento é um objeto quântico. É feito de uma substância (não-diferente) da substância que é feito o cérebro. Não há dualidade nem dualismo. Os neurotransmissores (moléculas liberadas na fenda sinaptica – espaço entre dois neurônios – e que são rapidamente metabolizados pelo organismo) não são, com certeza, os pensamentos, mas o representam. Há uma descontinuidade entre o surgir do pensamento e o aparecimento do neurotransmissor. Não é um processo contínuo! Quando penso em um objeto qualquer – uma flor, por exemplo – milhares de sinais são disparados demonstrando a atividade de circuitos de neurônios dentro do cérebro. Quem coordena todos esses disparos? O erro é acreditar que são desses disparos de neurônios que fazem nascer os pensamentos. É ao contrário! São os pensamentos que fazem surgir os neurotransmissores no cérebro e esses passam a representar o pensamento em questão. A mente é capaz de moldar o cérebro! Eu posso, através da capacidade de visão mental, criar estados cerebrais que representem as emoções ditas positivas.

 

 

O sentimento também é um objeto quântico. É o movimento da energia vital dentro de um campo funcional que percebemos e representamos no físico através das interações da matéria (moléculas da emoção). Emoção, portanto, é a representação física do sentimento que é sutil. Por que isso é importante? Para podermos acreditar que com a morte do corpo físico algo sutil sobrevive. Caso contrário, se eu só acreditar que haja interações materiais e nada mais, o meu agir no mundo irá refletir esse significado e não haverá espaço para ser bom ou fazer o bem. Será tudo indiferente. Não tenho responsabilidade sobre meus atos. Entre ser bom e ser negligente não há diferença. Entenderam a importância de acreditar no sutil? A física quântica proporciona essa mudança de paradigma quando afirma que toda matéria são ondas de possibilidades. A intimidade da matéria deixou de ser um bloco concreto e passou a ser um mundo de conexões e interconexões onde a comunicação é instantânea e sem troca de sinais (não localidade quântica) e sempre aponta para além dela mesma. É a chance que temos novamente de valorizar aspectos que o materialismo científico negligenciou há 400 anos com a bifurcação e separação das substâncias que constituem o cosmo. Há muitas evidências para essa conclusão. O interno e o externo de todas as coisas são feitas de uma única substância. A consciência é a intermediária na escolha. Esse paradigma resolve todos os paradoxos científicos do interacionismo entre sutil e manifesto e não há quebra da lei de conservação da energia do mundo manifesto. Simples e complexo assim!!!

Abraços fraternos

Dr Milton Moura

 

Descartes x Espinosa


Milton Moura28 de julho de 2016

        Dualismo x Monismo

Uma reflexão entre Descartes e Espinosa
Fico imaginando um diálogo entre Descartes e Espinosa. Um representante clássico do dualismo – separação entre mente (pensamentos) e corpo físico (matéria – extensão); e um representante clássico do monismo – tudo é feito por apenas uma única “substância”. Hoje temos a física quântica capaz de integrar e aproximar o diálogo, mas no século XVII não havia as esquisitices da ciência quântica. Havia um princípio de separação entre ciência e religião. 

Descartes apresentava a sua filosofia cartesiana da separação entre res cogitans (pensamento) e a res extensa (matéria). São feitos de substâncias diferentes e independentes. A matéria é possível a sua divisão em componentes menores para análise e posterior síntese. O mundo dos pensamentos, alma e consciência pertence a uma outra substância que não pode ser dividida e nem analisada. Essa ideia influencia até hoje a nossa ciência e até mesmo as religiões.

Espinosa, por outro lado, tinha suas intrigas e desavenças com a Igreja. Não o compreenderam. É um legítimo panteísta. “Deus está em tudo que existe, e tudo o que existe está em Deus”, dizia Espinosa. Se ele estivesse entre nós nos dias de hoje, com o conhecimento que a física quântica proporciona, com certeza comprovaria suas palavras. No entanto, vai mais além: “Se houver uma criação, esse Deus não está de fora”. “Deus é o mundo”. ” O mundo é em Deus”.

A física quântica compreende a matéria como possibilidades. São ondas de possibilidades. A mecânica quântica é capaz apenas de calcular a probabilidade de algo acontecer, mas nunca a realidade. O que causa então a realidade? O que está fora da jurisdição da física quântica capaz de provocar o colapso da função de onda e causar a realidade? Chegamos na consciência. A consciência escolhe. Há uma integração perfeita entre consciência e matéria. Não há dualismo. Há, sim, o monismo. Tudo o que existe é consciência. A matéria é apenas mais uma possibilidade de escolha.

Essa separação inicial proposta por Descartes ganhou adeptos importantes nas instituições educacionais da época e a filosofia cartesiana trouxe consigo o avanço tecnológico e científico que observamos hoje em dia. Porém, com esse avanço, houve uma negligência do res cogitans que ficou marginalizada da ciência que crê apenas na matéria: é o monismo da matéria e todas as suas interações materiais explicando tudo o que existe. A hipertrofia dos significados fornecidos por esse paradigma trouxe até o estágio que estamos vivendo atualmente. Não há valorização dos valores, pois a matéria não processa esses valores. E, ainda, somos frutos do acaso e da necessidade com o afastamento total do propósito na Evolução. Mas isso é assunto para outra oportunidade…

 Avançamos do monismo da matéria para o monismo da consciência. O dualismo embutido na interação entre res cogitans e res extensa não tem sustentação científica por possuir paradoxos insolúveis. As religiões espiritualistas que sustentam suas crenças na existência de uma realidade espiritual deveriam canalizar seus esforços para compreenderem a ciência quântica e aceitarem essa evolução da ciência. Ciência e Espiritualidade podem e devem ser integradas. A separação que houve durante esses 400 anos de domínio da matéria sobre o sutil precisa ser revisto. Será algo natural. Porém, estamos no período de transição.

Os conhecimentos científicos atuais não são tão fáceis em sua compreensão como o eram na época de Newton. Hoje, o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, só podem ser explicados com a física quântica. O macro ainda guarda estreita relação com a mecânica clássica, mas essa está longe de explicar a realidade. Nós não somos seres duais. Somos seres unos. Os fenômenos sutis merecem uma investigação pela ciência. Não a ciência clássica, mas a ciência quântica dentro da primazia da consciência. Livres de paradoxos e dentro de uma rigorosidade científica conceptual. 

A energia do mundo manifesto é constante! Lei sacrossanta (hehe). Como explicar a possível interação dentro da filosofia dualista entre o sutil e o manifesto se a energia do mundo manifesto é constante? Todo dualismo possui questões contraditórias chamadas de paradoxos. Todo paradoxo dentro da ciência remete a problemas. Os experimentos não falseam a hipótese. A solução está dentro do monismo. Mas mesmo o monismo materialista encontra problemas. Quando pensamos nos valores, como explicá-los? Como as interações materiais podem processar os valores? Impossível. 

Admiro Descartes e começo a admirar Espinosa. As ideias já se encontram há muito tempo trafegando entre as mentes dos seres humanos. Todos buscam a verdade. Se a verdade for uma “frequência”, cada um de nós “sintoniza” de acordo com o seu nível de compreensão. Não há problema nisso. Mas também acredito que há verdades mais verdadeiras do que outras e é dessa forma que percebemos a evolução. Vejam a época de transição entre a “verdade” do geocentrimo e a nova “verdade” do heliocentrismo. Assim está sendo com a nova mundança do paradigma do monismo da matéria para o monismo da consciência. Haverá uma integração e um diálogo fluente entre ciência e espiritualidade e todas as outras áreas do saber serão influenciadas com oportunidade de novos significados. O contexto fornece a oportunidade de significado pela mente. A física quântica fornece novos contextos. Quanto surge um novo significado surge um novo comportamento. É isso!
Abraços fraternos
Dr Milton Moura.

Existe a cura?

O que é a cura?

Hoje percebo que a cura está dentro de cada um. É um trabalho de reeducação. É um trabalho de autotransformação. É um trabalho que exige um poder de causa proveniente do espírito.

Tenho realizado algumas reflexões, conversas e palestras sobre o binômio saúde e doença. Utilizado da ciência para estabelecer uma possibilidade de comunicação entre o sutil e o manifesto. Essa comunicação é possível, pois a não localidade quântica estabelece essa possibilidade de comunicação entre os corpos sutis e o corpo físico.

O espírito escolhe, ou melhor, a consciência escolhe.

Temos “temas” a serem educados e necessitamos dessa educação para expandir e possibilitar a conquista de novos “ares”.

Hoje compreendo que há conhecimentos conhecidos. São coisas que sabemos que sabemos. Há desconhecimentos conhecidos. Ou seja, coisas que sabemos que não sabemos. Mas também há desconhecimentos desconhecidos. São coisas que não sabemos que não sabemos. Estamos em evolução dinâmica contínua. Precisamos ir adiante.

Por ser médico, compreendo a dor como um tipo de sintoma e os diversos sintomas com um alerta da alma para o corpo físico de que há aspectos que estão lhe faltando. Falta algo para a alma. O que será que está me faltando para que esse sintoma esteja presente em minha vida?

Aliviar os sintomas também é necessário, mas não é completo.

O trabalho com a autotransformação se faz necessário. Esse é mais dispendioso em questão de energia mesmo, mas é mais eficaz. Todo sintoma torna o Homem honesto. 

É uma oportunidade de autoconhecimento e autoconsciência. Passar essa responsabilidade para outro talvez ainda se compare a metáfora do carro com problemas que acende uma luz vermelha no painel e o levamos ao mecânico (médico dos carros) e ele simplesmente retira a luz vermelha do painel. Não resolveu o problema, apenas aliviou o sintoma. 

Assim somos nós com nossos temas, com nossos sintomas, com nossas “doenças”. Há uma necessidade de aprofundar e mergulhar na alma para reencontrar com aquilo que está nos faltando. Precisamos nos tornar completos.

Estamos ainda engatinhando no que se refere a compreender o que é a cura. Sabemos que a participação do “doente” em evolução seja fator decisivo. 

Despertar nele a necessidade de autotrasnformação. Despertar nele a necessidade de querer fazer escolhas diferentes e saudáveis. Despertar nele a capacidade de transformação. Fazemos isso em nossa comunidade, talvez ainda de maneira incipiente, mas o eixo que orienta os trabalhos do dia a dia é o despertar de consciências para a autotransformação. 

É a educação. É o estudo. É o reequilibrio energético que proporciona novas oportunidades de fazer o diferente em termos de comportamento. Nós não oferecemos a cura para nossos assistidos. Nós os fazemos compreender, ou pelo menos tentamos, a necessidade do porquê ser a “doença” uma ferramenta a sua disposição para atingir a cura.

Temos que confiar na medicina, mesmo sendo a medicina que ainda não valorize o sutil, mas que em breve conseguirá transcender e incluir. O trabalho de integrar ciência e espiritualidade passa pela mudança de paradigma. Mudar paradigma não é tarefa fácil.

Abraços fraternos!

Dr Milton Moura

Visão Mental – Pense no que se Pensa. 


                  Visão Mental

                  Saúde Mental

                     Bem Estar

                     Felicidade

A mente é um processo relacional regulatório do fluxo de energia e informações. Mente/Cérebro/Relacionamentos. Esse tripé é a chave para entendermos o que vem a ser bem-estar. Saúde mental e felicidade. Será que esse binômio guarda alguma interconexão? Acredito que sim. O problema é considerar a seguinte hipótese como verdadeira: Nascemos para sermos felizes? O que é essa tal felicidade? É um estado de graça? É um êxtase? É um estado emocional? É saúde? É o funcionamento apropriado do corpo físico? É o funcionamento equilibrado dos corpos sutis? O que é a felicidade? É um estado da “alma”? Estamos todos em algum tipo de relacionamento. Não há como permanecer no isolamento por muito tempo sem perder o senso da saúde mental. Precisamos uns dos outros. Nós somos observadores uns dos outros. A mente é real! Porém não há necessidade de nos identificarmos com a mente. Somos, sem dúvidas, muito mais que a mente. temos, sim, que “aprender” a utilizar esse “instrumento” poderoso. Sem ela, seria impossível estabelecer algum tipo de “percepção” do outro. O outro existe em minha percepção. Podemos ir além. Consigo perceber o outro e identificar o seu estado emocional. Consigo perceber o outro e sentir que ele está me sentindo. “Sentir-se sentido”. Essa seja talvez uma das características mais humanas que possuímos: a capacidade de sentir que estamos sendo sentidos. Isso é fundamental para a saúde mental e também para a felicidade. Mente/cérebro/Relacionamentos. Esse triângulo é a base do bem-estar. Mente e cérebro formam uma ligação íntima e inseparável. Temos bilhões de neurônios que fazem representações de nossas intuições, pensamentos e sentimentos. Se pudéssemos ouvir o som dos disparos dos neurônios quando estão realizando a representação de um pensamento, como seria? Qual sinfonia eles tocariam? Quais arranjos são necessários para que um significado apareça? Quais acordes são realizados para que uma emoção seja manifestada? É importante desenvolvermos um certo raciocínio sobre esses aspectos, porém não há necessidade de estabelecer nenhuma identificação com qualquer pensamento ou com qualquer sentimento. Somos muito mais que aquilo que pensamos e sentimos. Essa “identificação” com a mente é a origem do sofrimento!
A todo instante estamos realizando um verdadeiro “mapeamento” do outro e de nós próprios. Em qualquer relacionamento essa capacidade de “mapear” a si mesmo e o outro, ou seja, criar uma “imagem” que represente a si próprio e o outro, é a base da visão mental. Durante qualquer experiência que envolva relações interpessoais a visão mental está presente fazendo um levantamento das informações e energia do próprio corpo e simultaneamente realizando um outro levantamento das informações e energia do outro. Há uma espécie de “ressonância” mediada pelas emoções que podem ser compartilhadas de forma não verbal e que são fundamentais para a “percepção” do outro. É como se cada um de nós, como observadores, fossemos cocriadores uns dos outros. Somos sujeito e objeto simultaneamente em qualquer relacionamento. A emoção/sentimento “permeia” essa observação simultânea e consegue-se criar um mapa de “nós” em cada relacionamento. Essa ressonância ocorre em um relacionamento entre mãe e filho(a), entre namorados, entre amantes, entre amigos, entre membros de um grupo, entre grupos, entre comunidades, entre sociedades, entre cidades, entre países, entre… todos. Imagine por um instante se perdessemos a capacidade de sentir que somos sentidos. O que aconteceria? Indiferença? Frieza? Mecanicidade dos movimentos? Incapacidade de criar um mapa do outro? Exatamente isso. Estamos todos interconectados por uma realidade fundamental. Se somos infelizes, é porque tem algo em nossa consciência que não está integrado. Há alguma fragmentação da nossa essência que merece uma atenção especial. Aspectos de nossa mente subconsciente estarão presentes nesses “mapeamentos” e diante do fenômeno de ressonância corre-se o risco de projetar esses aspectos subconscientes como sendo do outro e, de repente, os outros tem raiva, tem ódio, tem diversas mazelas e , eu não. O problema está com os outros, não comigo! Como estamos buscando a felicidade? A felicidade interior não está no exterior. O problema real é que estamos constantemente nos identificando com esse oceano interno de pensamentos, crenças, sentimentos, medos, tristezas, desejos, anseios, frustrações e etc. Atribuímos um valor, um significado, uma energia e essa informação torna-se um “sofrimento” e , ainda mais, identifico-me com esse sofrimento. Somos muito mais que isso! A essência sempre presente em cada momento, em cada aqui e agora, é capaz de “nomear e dominar” cada “elemento” desse “oceano interno” que chamamos de mente. Temos que exercitar o poder da visão mental e, não, criarmos mais identificação com seus “elementos”. Isso gera sofrimento e como consequência a infelicidade. Estamos e permanecemos afastados da essência divina presente dentro de cada um de nós. Imagine como seria cada relacionamento se estivéssemos constantemente em íntima relação com a essência divina dentro de cada um de nós? Se pudéssemos realizar nossas escolhas em “sintonia” com essa frequência divina, encontraríamos todas as chaves que levam para a felicidade. A felicidade está nessa essência. E essa essência está dentro de nós. Portanto…
A consciência no ato da observação divide-se em sujeito e objeto. Surge a autoreferência em uma causalidade de hierarquia entrelaçada. Há uma identificação da consciência (sujeito) com o cérebro. Com essa identificação podemos criar representações de qualquer aspecto sutil (Intuições, pensamentos, sentimentos). O cérebro faz representações. Ao longo de toda a evolução, a consciência de forma criativa foi aumentando sua complexidade – expressões internas e particulares – a medida que o cérebro também aumentou sua complexidade com “aquisições” de mais áreas e regiões – complexidade da forma. Dessa maneira pesquisadores conseguiram identificar a presença de três cérebros dentro de um único cérebro – cérebro trino. Assim, nosso cérebro reptiliano – tronco encefálico – é responsável pelas representações mais primitivas relacionadas a sobrevivência propriamente dita. Fome e sede e a saciedade das mesmas. Instinto de reprodução e a saciedade sexual. Áreas e regiões com agrupamento de vários neurônios que “codificam” a representação dessas funções biológicas. Com o aumento da complexidade da forma, novas e mais complexas expressões internas da consciência podem ser representadas. A próxima conquista evolutiva foi o cérebro mamífero – cérebro límbico – responsável pela representação dos sentimentos e centros coordenadores das emoções. O cérebro emocional foi uma conquista criativa da consciência para prosseguir em sua evolução. Medo. raiva, ódio e outras emoções negativas foram necessárias nos primórdios da evolução para que padrões de disparos neuronais fossem criados para garantir a sobrevivência. Afinal um pequeno barulho na mata pode significar apenas um movimento do vento ou o movimento de algum predador. Na dúvida, é melhor fugir, senão… é o fim. O córtex cerebral é a aquisição mais recente com funções intelectivas nobres sendo a região pré-frontal a última aquisição evolutiva que permite a tomada de decisões baseadas na razão. Esses três cérebros desenvolvem uma ação conjunta e simultânea e o córtex pré-frontal é responsável por regular o fluxo de energia e informações provenientes do cérebro reptiliano e límbico. O cérebro reptiliano e o límbico enviam constantes informações e energia para todas as áreas superiores (córtex cerebral e córtex pré-frontal) mantendo essas áreas “alertas”, isto é, excitadas. Já o córtex cerebral consegue enviar energia e informações para as regiões hierarquicamente inferiores (cérebro límbico e reptiliano) com função inibitória dessas regiões.
Hoje em dia sabe-se que a meditação “fortalece” a região pré-frontal. Quando focamos a atenção na nossa essência, em nosso verdadeiro “eu”, a capacidade de permanecer equânime, em paz, com senso de compaixão, assertivo, mesmo em “situações” estressantes traz a possibilidade de atingir o tão desejado estado de felicidade. Pois nesse estado de atenção plena não há nenhuma identificação com a mente e com nenhum de seus “elementos”. Observa-se que o “tempo” torna-se “atemporal”. Percebe-se os “espaços” entre os pensamentos e sentimentos. Uma sensação inexplicável de paz, plenitude e presença surgem e há um contato com a essência divina. Para que isso possa ter oportunidade de ocorrer é necessário o desenvolvimento dessa atenção plena. Quanto mais tempo permanecermos “centrados” como observadores do oceano interno das percepções (Intuições, pensamentos e sentimentos) em uma atitude apenas de identificação dessas energias e informações liberando-as em seguida, conseguiremos atingir um estado de graça e êxtase que pode ser traduzido em felicidade. Nossos relacionamentos serão mais saudáveis. As escolhas serão mais coerentes, pois conseguiremos estar cada vez mais conscientes das escolhas, não permitindo que a energia e informação do cérebro límbico invada e “inunde” o córtex cerebral, impedindo-o de exercer a sua nobre função de discernimento. A meditação da atenção plena é um instrumento poderoso capaz de proporcionar uma integração entre os hemisférios cerebrais esquerdo e direito e também proporcionar uma integração entre os três andares do cérebro trino. Podemos presenciar qualquer situação da experiência diária e não ser “dominado” por essas situações e, sim, dominarmos cada situação. Pessoas felizes que vivenciam situações difíceis encaram essas situações como oportunidades, já as pessoas infelizes visualizam problemas. Desenvolver e aprimorar nossa capacidade de visão mental proporcionará uma certa habilidade e capacidade de “nomear e dominar” qualquer situação do dia a dia. Com essa atitude de presença constante com atenção plena em nosso “eu” verdadeiro não haverá identificação do EGO com as armadilhas da mente. A visão mental é um instrumento para adquirirmos bem-estar e felicidade. Não o contrário! É uma oportunidade de conhecer as nós mesmos durante nossas ações. “Conheça a ti mesmo”.

A visão mental é isso! Ela pode ser ampliada com a atenção plena. As ações serão mais coerentes e cônscias. Integração. Perceber o fluxo da consciência. Mapear a si próprio e ao outro criando um mapa de “nós”. Sentir que estamos sendo sentidos. Sentir que podemos sentir os outros. Empatia é isso. Aumentando a capacidade da visão mental, ampliaremos a “mente” e a capacidade de regular, durante uma relação, o fluxo de energia e informação sem identificação e sem sofrimento. Que possamos então despertar e ampliar a consciência para que a felicidade seja um estado em que possamos realizar nossas escolhas. Vale lembrar que não basta ler sobre a atenção plena, ela não virá sem uma certa pratica. Focar a atenção durante cinco minutos diários em nosso “eu” verdadeiro, na respiração, no ir e vir suave da respiração, percebendo e nomeando cada sensação, cada emoção, cada pensamento que possa surgir durante esses cinco minutos, sem julgamento, apenas nomeando e liberando trará uma sensação de bem-estar e felicidade. Caso você perceba que um pensamento o levou para algum lugar, sem problemas, honre a sua meditação e retorne a atenção para o seu verdadeiro “eu”. Em pouco tempo você experimentará que a convivência com você mesmo poderá ser agradável. A felicidade está ai, junto com a essência divina que permeia cada um de nós.

Abraços fraternos

Dr Milton Moura

Impermanências

                 IMPERMANÊNCIA

               SITUAÇÕES DA VIDA
Vamos utilizar a visão mental para “percebermos” um fato importante. Vejam com seus próprios “olhos internos” a diferença que há entre VIDA e SITUAÇÕES DA VIDA! Há uma lei universal que retrata a impermanência de todas as coisas externas. Nada é para sempre. Até mesmo o “para sempre” acaba. Aqui reside uma observação importante: caso haja uma identificação da mente com o aquilo que é apenas externo haverá indubitavelmente sofrimento. O sofrimento nada mais é que um certo distanciamento da consciência impelida pela mente e suas identificações. A consciência é a base de tudo! Ela escolhe dentro das possibilidades. A realidade de cada um de nós assim é formada. A presença da consciência “perturba” as possibilidades da matéria e a realidade se faz. A atenção e a energia focada confere o caráter de realidade de tudo.Quem é você? Eu sou médico. Não, eu não perguntei sua profissão, eu perguntei quem é você? Eu sou o Milton. Não, eu não perguntei o seu nome, eu perguntei quem é você? Eu sou… Quem é você? Estamos vivenciando várias situações em nossas vidas e conforme a identificação da consciência ou valor extraído pela mente dessas situações é que proporcionará sofrimento ou não. Eu sou a tristeza… Eu sou a alegria… Eu sou o medo… Eu sou a ansiedade… Eu sou a decepção… Eu sou a revolta… Eu sou minha profissão… Eu sou meus bens materiais… Eu sou a raiva… Eu sou a gratidão… Quem é você? Quais são suas identificações? Essas identificações são impermanentes. Elas obedecem a um ciclo que possui início, meio e fim como o ciclo de nascimento e morte.

A vida é muito mais que as próprias situações impermanentes. Durante a vida, passamos por vários ciclos que tem uma extensão no plano do tempo e espaço que estamos presentes. Nascimento e morte. Vários outros ciclos ou “dramas” da vida servem para o aprendizado. Quando mais consciência trazermos para cada situação de vida, menos sofrimento provocaremos para nós mesmos. Quando menos identificação com as diversas situações e mais observadores nos tornarmos delas (as situações), mais paz e presença conquistaremos. Esse fato é corroborado pela neurociência e a capacidade de visão mental que todos nós possuímos. O oceano interno de sensações é rico. Manter a atenção consciente é um treinamento que poderá trazer benefícios em todos os setores da vida. Não importa se estamos vivendo na abundância ou não. Não importa se hoje vivemos na alegria ou na tristeza. Não importa as polaridades que estamos vivendo. Importa sim, que dessa polaridade podemos extrair a sempre presente consciência de todas essas situações e adquirir a presença divina e serena do SER. A impermanência de todas as situações irá se dissolver. O passado irá se dissolver com a presença do espírito em cada situação do aqui e agora, que é a única coisa que realmente existe. O momento sempre presente se renova a cada instante e a cada instante estamos criando a realidade. Se focarmos a “energia” da atenção no momento atual, trazendo a consciência para o que temos hoje, aqui e agora, tanto passado (culpa, ressentimentos, mágoas e etc) quanto futuro (ansiedade e etc) irão se dissolver por falta de “energia”. A energia que mantém “vivo” o passado e o futuro, que não existem ou que já existiram, se dissipa e é utilizada para o aqui e agora da realidade presente. Simples e difícil assim. Simples e complexo assim.

A mente é poderosa e, na maioria das vezes, está a serviço do EGO e suas identificações por fornecer uma “energia” às situações da vida e manter essa identificação para satisfazer o próprio EGO. Seja em discussões de diversidade de pontos de vistas. Seja na busca em sempre querer estar com a razão. Seja em qual polaridade for. Essa é a casa do EGO. Quando a consciência está presente no momento atual, nós podemos manter nosso ponto de vista com assertividade e compaixão e sem exclusão. É uma atitude inclusiva e não exclusiva. Como isso é difícil na prática do dia a dia! Essa visão tem ficado mais clara para mim de pouco tempo para cá. Já passei por situações onde o EGO falou mais forte em querer defender esse ou aquele ponto de vista com a intenção de sempre querer ter razão. Se vocês analisarem alguns dos meus textos perceberão essa fase. Está tudo certo! Como diria um amigo. Realmente está tudo certo. Nada acontece em nossas vidas que não seja necessário para a nossa evolução. Encarar as adversidades como oportunidades é um ponto de partida. Desenvolver e aprimorar a capacidade de visão mental com a “observação” das diversas situações da vida sem a identificação do SER com as mesmas é um dos caminhos para valorizar a vida. Tudo isso, reflete o que “buscamos” com o estado de coerência cardíaca. Perceber e observar o que sentimos, como testemunhas do mesmo. Perceber e observar o que pensamos, na mesma atitude de testemunhar o pensamento. Perceber e observar, principalmente conhecer-se a si mesmo, durante as ações e comportamentos. Essa tradução é essencial se acreditamos que a felicidade está na consciência e podemos trazer a consciência para dissolver as inconsciências das situações da vida.

As situações da vida são impermanentes. A vida é permanente. A essência divina dentro de cada um de nós é permanente. A consciência é a base de tudo. Não a consciência egóica das identificações. Quem é você? Mas, sim a consciência cósmica, universal, Deus, qualquer nome que você queira dar para traduzir, mesmo que imperfeitamente, a sensação forte e presente que temos algo de essencial dentro de cada um de nós que nos impulsiona para irmos adiante seja em qualquer situação de vida que estejamos vivendo, pois em última instância, essas situações de vida são criadas por nós mesmos em um ciclo constante de evolução. Tudo o que acontece na sua vida, aceite isso, é o que é necessário para sua evolução. Não há necessidade alguma de se identificar com o sofrimento, pois ele é apenas uma ferramenta, dentre as muitas disponíveis, que reconduz o SER para “tornar-se” cada vez mais consciente e presente. Um dia o ciclo de nascimento e morte pode acabar. Esse dia, talvez, será o dia que perceberemos que nenhuma situação da vida, dentro da polaridade, irá “causar” nenhuma reação de luta ou fuga dentro da nossa essência. A presença consciente não mais terá inconsciências e tudo saberá. As coisas serão como são. Tudo será como é. Tudo está certo!
Abraços fraternos
Dr Milton Moura

Conflitos, Ferimentos e Transformação


Como ocorre o processo de transformação pessoal? Qual a dinâmica dessa transformação? Os conflitos são importantes no processo de transformação? Quem não tem conflitos nessa vida? Vivemos uma dualidade constante entre orgulho e humildade, entre ambição e o equilíbrio, entre o ressentimento e o perdão, entre a indiferença e a fraternidade, entre a aflição e a calma, entre o egoísmo e a caridade, entre a intolerância e a indulgência, entre a mentira e a verdade, entre o desespero e a esperança, entre a discórida e a compreensão, entre a mesquinhez e a bondade e entre o ódio e o amor.

A todo momento temos a oportunidade de sair do atoleiro da inferioridade para a terra firme da renovação interior. Passamos por momentos de aparente estabilidade alternado com momentos de aparente instabilidade na vida, porém a todo o instante estamos reunindo informações do mundo infinitamente grande “lá fora” e transmitindo essa informação, por via dos sentidos, através das células para o pequeno “mundo interno”, que é também infinito. As diversas pressões externas que geram preocupações como preocupação familiar, preocupação com o ganho material do dia a dia, preocupação com o trabalho ou a falta dele, preocupações, preocupações e mais preocupações deflagram um resposta de stress, um conflito.
A consciência necessita de transformação, necessita de aquisição de novos contextos, necessita também de novos significados, enfim, necessitamos de criatividade interna para solucionar os conflitos, com o intuito de não acumular mais ferimentos em nossas almas. A solução desses conflitos passa por uma compreensão da integralidade do ser, com todos os corpos sutis: supramental que organiza as intuições e fornecem os contextos para o corpo mental que organiza os pensamentos e confere significado aos contextos, o corpo vital por onde transita a energia vital, sentimentos, e contem os campos morfogenéticos, isto é, as diversas matrizes ou projetos dos órgãos do corpo fîsico que por sua vez organiza os sentidos e os conecta ao mundo da manifestação.
Trazemos ferimentos e possuimos conflitos. Essa dinâmica entre ferimentos e conflitos, muitas vezes, nos levam a soluções equivocadas, pois ainda temos temas incompreendidos como Amor, Verdade, Bondade, Justiça, Beleza e Abundância e damos significados falhos a esses temas, pois o paradigma que nos norteiam é limitado e materialista bem como determinista, sendo incapaz de fornecer uma visão holística e interconectada. Isso nos leva cada vez mais para a separação, que nos leva cada vez mais para a dualidade e a tendência é viver essa separação ilusória, até o momento em que ocorre o despertar.
Quando vivemos o conflito, quando vivemos a ambivalência, quando estamos em momentos de stress ocorre um fenômeno de superposição de possibilidades em um processamento inconsciente, como se a consciência buscasse o propósito de atingir a sabedoria e, quando ocorre um êxtase repentino, quando ocorre o badalar dos sinos, quando o coração vibra de felicidade, quando um raio atravessa o ser, de forma descontínua, isso tudo sinaliza o aparecimento do insight criativo, e a solução do problema emerge, vem a solução do conflito e o ser surge renovado, adquire uma certa iluminação, uma nova estabilidade de integralidade passando a ser, simplesmente. Ele é a transformação, ele vive a dinâmica da transformação e sai renovado do conflito pois é capaz de visualizar as conexões, é capaz de visualizar a unidade. Adquire a coerência entre pensar, sentir e agir e manifesta o produto desse insight em seu comportamento, agora renovado.
Por quantas transformações precisamos passar para atingir tal entendimento? Sinceramente, não sei a resposta. Porém precisamos despertar e entender a dinâmica de nossas sombras, que acredito serem as geradoras dos conflitos, verdadeiros ferimentos esquecidos ou negligenciados ou até mesmo sabotados que nos impedem de ir além em nosso processo evolutivo, criando um circuito fechado de causa e efeito – nosso Karma.
Projetamos os fragmentos e identificamos esses fragmentos em nossos semelhantes. Rejeitamos esses aspectos sombrios de nossa essência e os percebemos nos outros. De repente, o mundo está repleto de raiva, as pessoas sentem raiva e eu não tenho raiva. Quando sabemos que estamos projetando? Simples, se algo acontece, durante o compartilhamento de experiências, e percebemos essa experiência apenas como uma informação sem afetar o nosso humor, provavelmente não estamos projetando. Porém, se a percepção dessas experiências nos irritam, nos afligem, alteram nosso humor, nos invadem em indignação, provavelmente esses são nossos fragmentos.
Essa compreensão é libertadora, porém necessita de honestidade e sinceridade pessoal. A sombra exige um gasto energético para mantê-la e essa energia poderia estar sendo utilizada no processo de transformação. Manter a sombra é um trabalho que gera ou pode gerar mais ferimentos e perpetuar o ciclo karmico. A interrupção do processo necessita do despertar e esse despertar, o tempo desse despertar é pessoal e intransferível. Trabalhar com nossas sombras e transmutá-las em energia saudável é um trabalho urgente e necessário para o atual momento evolutivo de nossa espécie.
Percebam o quanto são importantes os conflitos no processo de transformação pessoal. Uma mudança de paradigma se faz necessário. Mudar a visão de mundo se faz urgente. São esses paradigmas que fornecem os contextos. Precisamos criar representações físicas do corpo supramental. Precisamos vivenciar os valores, precisamos ir além do EGO e educar as potencialidades do mesmo para cada vez mais permitir o despertar da consciência latente e assim estarmos prontos para um novo planeta, uma nova civilização onde a saúde e a paz reinarão e a regeneração da consciência poderá ser experenciada em sua plenitude.
Abraços fraternos

Dr Milton Moura