O Novo Incosciente

O NOVO INCONSCIENTE

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Vivemos em um momento histórico com relação ao conhecimento do inconsciente. Freud ficaria feliz em estar entre nós. Avanços na neurociência fornecem uma luz extra na questão que sempre intrigou filósofos, dramaturgos, poetas e até mesmo cientistas. O que é o  Inconsciente? O termo inconsciente ainda é muito mal compreendido. Observa-se um paradoxo atualmente, ou seja, a “meta” teoria de Freud é a mais divulgada e estudada no meio acadêmico da área de psicologia e é a menos estudada cientificamente com suas ferramentas de investigação. A “meta” teoria do inconsciente dinâmico de Freud não pode ser verificada cientificamente. Freud não descobriu o inconsciente, talvez o seu grande mérito tenha sido em organizá-lo em uma “metateoria” e sistematizar os aspectos clínicos  dos transtornos psíquicos. Vale ressaltar que o “espírito da época” de Freud era a invenção da máquina a vapor e seus fluidos. O inconsciente dinâmico de sua teoria valeu-se da metáfora dos fluidos e mecanismos das descobertas daquele tempo. Hoje a metáfora é outra e a física quântica complementa aspectos que permitem uma avaliação científica do inconsciente.

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Antes de Freud, muitos já haviam estudado o inconsciente. A noção de que forças subterrâneas, as quais não temos acesso consciente, influenciam o comportamento não é de hoje. Muitos filósofos, dramaturgos e poetas levantaram hipóteses variadas e interessantes. A teoria do inconsciente dinâmico de Freud não podia ser verificável, uma condição essencial considerada pela ciência. Hoje, com vários laboratórios de neurociência, sabe-se que a maior parte do processamento do cérebro é inconsciente e apenas uma pequena parte resumida, editada e nada fidedigna é acessada pelo processamento consciente. O processamento inconsciente é dado pelos milhares e milhares de conexões neurais existentes e possíveis. Cada neurônio é capaz de estabelecer uma comunicação com outros 5000 (cinco mil) neurônios. Temos cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro. O número possível de combinações desses 100 bilhões de neurônios é de 10 elevado a milionésima potência, ou seja, é o número 1 (um) seguido de um milhão de zeros. Um número muito maior que a quantidade de estrelas do Universo manifesto. Temos muitas possibilidades de escolhas de redes neurais para representar as diversas capacidades e diversas potencialidades de expressão da consciência.

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Cabe ressaltar aqui que a consciência – base de tudo – é capaz de escolher o processamento consciente e o processamento inconsciente. Exatamente isso! A criatividade quântica – capacidade da consciência em evoluir – impulsiona a mesma em direção à complexidade. Não podemos confundir o termo consciência – base de tudo – com o processamento consciente. O processamento consciente está incorporado dentro da consciência. Admitimos ser a consciência a essência primeira de tudo. Aquela que é capaz de escolher dentre as possibilidades fornecidas pela matéria. Lembrem-se que a matéria comporta-se como onda de possibilidade e por si só não é capaz de criar a realidade. Há a necessidade de existir algo fora da jurisdição da mecânica quântica para colapsar a função de onda da matéria e esse algo é a consciência.

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Vamos utilizar uma metáfora bem difundida hoje em dia para compreender as dimensões do processamento consciente e do processamento inconsciente. Se considerarmos a mente como sendo um iceberg, a mente consciente e seu processamento representa a superfície fora da água desse iceberg. Capacidade de raciocínio, percepção, resolver problemas de lógica, ler um livro é a capacidade do processamento consciente. Esse processamento consciente é cerca de 200 mil vezes menor que o processamento inconsciente representado pelo restante submerso do iceberg como todos os nossos medos, sistema de crenças, desejos, recalcamentos, autoenganos, autosabotagens, automatismo, etc. Uma enorme capacidade de processar informações, cerca de 11 milhões de bits a cada segundo – abaixo da percepção consciente – capaz de coordenar e influenciar o comportamento, quando comparado com os 50 bits de informações por segundo do processamento consciente. Percebemos o mundo conforme nossos “filtros”. Raciocinamos e decidimos conforme esse processamento inconsciente. São essas as forças subterraneas que coordenam o comportamento. Precisamos e necessitamos conhecê-lo. O processamento inconsciente à luz da neurociência é o novo inconsciente.

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O cérebro é um importante ponto nodal e estamos compreendendo aspectos que compõe a sua realidade. A física quântica fornece novas metáforas e permite integrar dentro da consciência plena esses aspectos agora desvendados pela neurociência. É lamentável que o grande objetivo da ciência materialista ainda permaneça ancorado na causação ascendente, isto é, tenta-se explicar a consciência como um subproduto ou epifenômeno do funcionamento do cérebro.Mas isso não tem problema. Estamos na dinâmica da mudança e aos poucos será vivenciado e estudado de uma forma diferente e haverá uma integração entre ciência e espiritualidade. A consciência escolhe o objeto a ser medido simultaneamente com suas redes neurais ou circuitos neurais que o representam. É a mensuração quântica no cérebro. É a medida de percepção do estímulo que envolve os objetos externos. É a cisão entre sujeito e objeto verificada a cada instante, a cada piscar de olhos. É a maneira como nós percebemos o mundo. O estímulo percorre um aparato de percepção capaz de processar do micro ao macro, isto é, as onda de possibilidades quânticas tornam-se mais lentas a medida que o fenômeno da percepção do estímulo percorre o aparato de percepção das partículas elementares ao átomo e desse às moléculas. Nesse processo, eventos quânticos com certeza estão envolvidos. Observamos e constatamos uma separação entre o sujeito que percebe e o objeto percebido. No processamento consciente ocorre a cisão sujeito e objeto. No processamento inconsciente não há cisão sujeito e objeto, mas há processamento. Isso agora corroborado por uma infinidade de laboratórios de neurociência. É dessa maneira que criamos a realidade, com cerca de 10 milhões de bits de informações por segundo fornecido somente pela visão. A visão é a grande representante do processamento inconsciente.

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A quantidade de bits de informações que chegam até o cérebro proveniente do corpo é enorme. Como vimos anteriormente são cerda de 11 milhões de bits por segundo. A mente consciente não conseguiria tomar decisões se fosse necessário o processamento consciente simultâneo dessa gama de informações que chegam ao cérebro. O processamento inconsciente é necessário e foi conquistado durante os evos da evolução da consciência. Nele está talvez o segredo que deveremos desvendar para o autoconhecimento. Nele está talvez o segredo que teremos que aceitar nos processos de autoengano. Nele está o segredo das nossas mentiras. Nele está o segredo da nossa honestidade e da desonestidade. Nele está o segredo dos sentimentos e das emoções. Nele está o segredo da representação que fazemos dos aspectos sutis de cada um de nós. Talvez, daqui a alguns anos, não seja mais segredo que conheceremos nossas projeções durante os relacionamentos amorosos e não amorosos. Durante as diversas experiências que compartilhamos durante as 24 horas do dia. Entenderemos a sabotagem que realizamos na percepção consciente baseada no sistema de crenças inconsciente. Entenderemos e propiciaremos uma terapêutica adequada baseada nesses conhecimentos emergentes. Criaremos uma nova realidade. Uma realidade mais feliz. Uma realidade mais sábia. Uma realidade mais repleta de gratidão. Uma realidade onde o perdão já está no passado, ou seja, já perdoamos e no final constatamos que mal nenhum ocorreu. Uma realidade onde haja o amor incondicional. Uma realidade onde aprendemos a criar os circuitos de neurônios que representam esses aspectos da consciência que ainda ainda não são instintivos.

Dr Milton Moura

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CALLEGARO, Marco Montarroyos. O Novo Inconsciente: como a terapia cognitiva e as neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental. Porto Alegre: Artmed, 2011.

GOSWAMI, Amit. Evolução criativa das espécies: uma resposta da nova ciência para as limitações da teoria de Darwin. São Paulo: Aleph, 2009.

HANSON, Rick. O Cérebro de Buda: Neurociência prática para a felicidade. São Paulo: Editora Alaúde, 2012.

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