Por que acreditamos naquilo que acreditamos?

FORMAÇÃO DAS CRENÇAS
O que nasce primeiro? A crença ou o conhecimento? A crença converte-se em conhecimento ou o conhecimento converte-se em crença. Em que quero acreditar? Você acredita em Deus? Você acredita em Reencarnação? Você acredita na teoria da evolução de Darwin? Você acredita em anjos? Você acredita na ciência? Pois bem, como construimos nossas crenças, ou melhor, como acreditamos no que acreditamos? Algumas pesquisas foram realizadas. Uma delas de 2009, entrevistou 2303 pessoas pedindo que elas indicassem com sim ou não se acreditavam em cada uma das categorias listadas abaixo. Os resultados foram reveladores.
Deus 82%

Milagres 76%

Céu 75%

Jesus é filho de Deus 73%

Anjos 72%

Imortalidade da alma 71%

Ressurreição de Cristo 70%

Inferno 61%

Virgindade de Maria 61%

Demônio 69%

Teoria da evolução de Darwin 45%

Fantasmas 42%

Criacionismo 40%

Ovnis 32%

Astrologia 26%

Bruxas 23%

Reencarnação 20%
Pessoas acreditam mais em anjos e demônios do que na teoria da evolução!

Uma porcentagem grande da população acredita no sobrenatural e no paranormal.

Conhecimento e crenças coexistem. Uma sociedade progride rapidamente quando as duas necessidades humanas – a crença e o conhecimento – se encontram e se harmonizam. Fatos e crenças coexistem.
Como a ciência contribui para a formação do sistema de crenças através da metodologia científica? Pode-se ensinar a metodologia científica nas escolas e universidades, mas será que isso muda as coisas? Por que as pessoas acreditam? O sistema de crença das pessoas torna-se uma poderosa, penetrante e duradoura ferramenta de conduta. As crenças nascem, se formam, se alimentam, se reforçam, são contestadas, mudam e se extinguem. Por que as pessoas acreditam em alguma coisa? Construímos nossas crenças por várias e diferentes razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicas, em contextos criados pela família, por amigos, colegas, pela cultura e sociedade. Uma vez consolidadas essas crenças, nós as defendemos, justificamos com uma profusão de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. Primeiro surgem as crenças e depois as explicações. Segundo Einstein, a teoria determina aquilo que podemos ver. Nosso cérebro foi esculpido durante os evos da evolução para “fazer” as crenças. Como vimos anteriormente, em post sobre o novo inconsciente, o cérebro possui um processamento inconsciente responsável pela formação de padrões de disparos dos neurônios onde a consciência busca e fornece os significados através da mente. O cérebro não consegue se perceber. O cérebro é matéria e não possui a capacidade de auto-observação. A mente, ao contrário, consegue perceber-se Você se percebe no ato da percepção. Você é o sujeito e o objeto ao mesmo tempo. No processo de percepção nasce a autoreferência, o “self” da experiência.
Os dados fluem através dos sentidos em uma atitude de cocriação da realidade através das possibilidades da matéria, isto é, do colapso da função de onda da matéria pela consciência. O cérebro/mente/consciência naturalmente começa a procurar e encontra padrões, aos quais então infunde significado. O Primeiro passo é a busca de padrões (padronicidade), isto é, a tendência de encontrar padrões significativos em dados que podem ou não ser significativos. O segundo passo é a capacidade que temos de dar aos padrões significado, intenção e ação. Padrão e ação. Padronicidade e acionalização. Buscamos a todos os instantes conexão entre os pontos de nosso mundo em padrões significativos, capazes de explicar por que as coisas acontecem. Esses padrões significativos se tornam crenças.
Depois de formadas as crenças, o “intérprete” dentro do hemisfério esquerdo começa a procurar evidências que as confirmem, o que aumenta a confiança emocional e acelera o processo de reforço dessas crenças. Há um processo contínuo de reforço e confirmação das crenças. O sistema de crenças está dentro desse processamento inconsciente e é envolvido pelo conceito do novo inconsciente. A ciência ajuda na construção do sistema de crenças das pessoas? Como não!!! As mudanças de crenças ocorrem mais frequentemente na ciência, mas não com a frequência que se poderia esperar diante da imagem idealizada do cultuado “método científico”, para o qual apenas os fatos importam. Mas os cientistas são seres humanos, sujeitos como qualquer um aos caprichos da emoção e à influência dos desvios cognitivos quando moldam e reforçam suas crenças.
O cérebro/mente/consciência também atribui valor sobre as crenças. Aliás, somente a consciência consegue processar valores. Nenhuma outra máquina tem a capacidade de processar valor. Nesse processamento inconsciente, onde ocorre o nascimento, formação e concretização das crenças, vamos atribuindo significado e valores e buscando na convivência e na experiência diária outros companheiros que possuem idéias afins e a rejeitar os que têm crenças diferentes. Assim, quando tomamos conhecimento de crenças que diferem das nossas, temos a tendência de rejeitá-las ou destruí-las por considerá-las absurdas, más, ou ambas as coisas. Essa propensão torna ainda mais difícil mudar de opinião diante de novas evidências.
O ponto a partir do qual uma sociedade não consegue mais descobrir uma saída para seus problemas é chamado de LIMITE COGNITIVO. Será que estamos vivenciando esse limite cognitivo agora. Dificuldade em adquirir conhecimento através das injunções previamente formuladas e como consequência dificuldade em encontrar soluções para a complexidade dos problemas que enfrentamos? Os estudos sociológicos tem demostrado que em todos os aspectos atingimos um limiar, um limite de resolução de problemas, e somos “forçados” a encontrar soluções sistêmicas e complexas para problemas sistêmicos e complexos. O método científico muitas vezes é o responsável por crenças que canonização a correlação. O que é isso? Na busca por explicações e conhecimento, as pessoas do meio científico confundem “correlação” com causalidade. Acabam fazendo uma falsa correlação e aceitam a correlação como substituta da causalidade; usam a engenharia reversa para manipular evidências e contam com o consenso para a determinação de fatos básicos. Essa “supercrença” da correlação falsa tem efeitos nocivos e acabam determinando comportamento. Vejamos alguns exemplos de falsa correlação: “Ventilador no quarto parece diminuir risco de morte no berço”; “Envio de mensagens escritas aumenta a capacidade linguística”; “Estudo sugere que frequentar uma igreja reduz o risco de morte”; “Implante de seios reduz risco de câncer, mas aumenta tendência de suicídio”; “TV ligada perto de crianças perturba sua atenção”; Alguns tipo de câncer aumentam o risco de divórcio”; “Comer peixes gordurosos reduz risco de demência”; “Pais rigorosos têm filhos gordos”; “Letras de músicas sensuais motivam adolescentes a fazer sexo”. e etc, e etc. Quando começamos a procurar por elas a lista vai longe, as correlações falsas estão por toda parte.
As crenças coordenam as percepções. Através da percepção vamos construindo nossas memórias. A criatividade quântica – capacidade da consciência em evoluir – talvez seja o ponto a ser incentivado no atual estágio evolutivo pela qual estamos passando. Ao mesmo tempo, caminhando em busca da coerência cardíaca, ou seja, um alinhamento entre o que se pensa e o que se sente refletindo as ações. Podemos construir crenças, desfazer-se de crenças limitantes! Isso poderá fazer diferença no mapeamento do nosso futuro.
Abraços fraternos
Dr Milton Moura

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